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Entrevista: Renata Roncalli, Programa Mãe S/A

Não tem nada melhor do que conhecer mulheres inspiradoras e contar a missão delas para o mundo. É o caso da Renata Roncalli, psicóloga e coach, fundadora do programa online Mãe S/A.

Conheço o trabalho da Renata há algum tempo e agora no início do ano, conheci a Rê pessoalmente – quer dizer, virtualmente, rs, ainda não nos conhecemos ao vivo, mas já nos falamos muito e sempre. Ela tem ideias incríveis, tem uma energia e pró-atividade que impressionam e é uma super mãe! Por isso mesmo, tive muita vontade de começar a série de entrevistas do blog com ela, vocês precisam conhecer a Renata e o programa Mãe S/A, que ela desenvolveu com tanto carinho. Vamos lá? 🙂

1 – Rê, resume rapidinho quem é você aqui, para começarmos.

Eu sou Psicóloga, Coach de Carreira, empreendedora e mãe do Ben e do David. Dedico- me exclusivamente hoje a ajudar mães a reestruturarem a sua vida profissional de uma forma mais alinhada com suas expectativas atuais. Meu trabalho é feito 100% online ou individualmente através de processos de coaching ou através do Programa de empreendedorismo materno, o Mãe S/A.

2 – Qual sua formação? E como foi sua carreira no mercado corporativo?

Sou Psicóloga e durante 13 anos trabalhei em grandes multinacionais com recrutamento e seleção e desenvolvimento de carreiras. Apesar de gostar muito do que fazia, não me adequava ao modelo corporativo com hierarquias engessadas, horários rígidos que me faziam sentir em uma prisão, além de pouco espaço para criar e iniciar projetos – isso sempre foi minha grande paixão. Na verdade, 2 anos antes de pedir demissão eu já me sentia muito infeliz, sofria para acordar e ir até a empresa e, enquanto estava lá, eu me sentia muito mal, pois eu não usava tantos talentos que tinha. Eu me sentia vazia.

3 – Você sempre teve vontade de empreender, de ter seu próprio negócio? Ou isso surgiu com a maternidade?

Eu sempre quis empreender. Mas demorei para aceitar e entender esse desejo. Lembro que quando era criança brincava de algo que parecia estranho para as minhas amiguinhas: eu arrumava uma mesinha que tinha no meu quarto, colocava um papel e caneta na minha frente e ficava fingindo que estava tomando decisões. Sentia algo maravilhosos um frio na barriga gostoso. Mas fui entender o que isso significava quase 25 anos depois!

Também demorei para aceitar que eu tinha o perfil empreendedor e não o perfil corporativo. Fomos criadas para entrar em uma grande empresa e lá ficar por anos. Isso sempre foi sinônimo de sucesso na nossa sociedade e eu atingi esse patamar e fui infeliz. Ninguém nunca me ensinou que algumas pessoas são bem sucedidas criando suas próprias empresas, sempre me disseram que empresários já herdavam empresas prontas de seus pais e que construir uma sua era sinônimo de loucura, de algo inseguro. Ainda vejo muita gente lutando para aceitar que não é bom no mundo corporativo e nasceu para empreender. E isso me deixa triste. Levei basicamente minha vida toda para entender que o meu perfil e minha missão não tem haver com grandes multinacionais e empregos considerados “seguros”.

Hoje me sinto como se tivesse tomado a pílula vermelha e me libertado de uma grande prisão. E isso aconteceu na maternidade. Eu já tinha o desejo desde criança, mas foi ser mãe que me encorajou e me deu um bom motivo para encarar essa transformação o de uma vez por todas. A maternidade tem essa “pegada” de soco no estômago e eu me perguntei:

“E quando meu filho crescer e me ver medíocre, mediana, sofrendo e me conformando com um trabalho que eu detesto só por uma pseudosegurança ou por que as pessoas me disseram que era aqui que eu devia fazer para ser bem vista? Imaginar isso me fez partir para a ação”

Isso me transformou em um trator e no dia seguinte do meu pedido de demissão ( fiz questão que ele estivesse comigo ) eu já tinha meu primeiro trabalho freelance para fazer da minha própria casa. Não deixei espaço para fracassar.

4 – Como surgiu a vontade de ser coach? E de trabalhar com mães?

Eu sempre amei ajudar as pessoas e era muito boa nisso já na época que era selecionadora. As pessoas me diziam que eu deveria ser coach, eu naturalmente as mobilizava para ação, que na minha opinião é uma das melhores habilidades que um Coach pode ter.

Mas eu descobri a metodologia do coaching só quando estava confusa e já tinha pedido demissão. Quando eu fiz a formação, no primeiro minuto de aula, soube que era isso que eu nasci para fazer. Foi um momento mágico na minha vida, eu tinha encontrado finalmente meu caminho!

Comecei a atender várias pessoas e ajuda-las a encontrarem seus trabalhos dos sonhos também. Até engenheiros da FAB que têm empregos vitalícios começaram a me procurar porque estavam infelizes. Depois do processo comigo, eles pediam demissão e seguiam seu caminho felizes da vida. Até que eu percebi que minha agenda estava lotada de mães, também sofrendo e perdidas como eu estava há anos atrás, buscando ressignificar seus trabalhos e sua carreira agora que são mães. Aos poucos fui me apaixonando, era inspirador demais para mim poder ajudar mulheres com a mesma história que a minha. Eu sabia exatamente o que aquela mulher estava passando e não descansei enquanto cada coachee minha encontrou seu novo caminho.

A demanda começou a aumentar e eu decidi me dedicar exclusivamente a mães e entendi qual minha missão nessa vida. E isso me trouxe uma paz e uma certeza absoluta sobre o meu “porque”que eu nunca tinha sentido antes. Entendi que passei por tudo que passei para ajudar e entender a dor dessas mulheres. Eu cheguei a pedir demissão mais de 8x na vida. Parecia uma barata tonta tentando encontrar seu espaço no mundo. Isso me causou sofrimento mas também uma bagagem que poucas pessoas tem e hoje para mim é muito fácil ajudar uma pessoas a encontrar seu caminho profissional. Às vezes, uma conversa de uma hora é o suficiente para eu ajudar a mudar toda a história daquela mulher. Isso não tem preço para mim. Mas eu tive que passar por um processo longo e doloroso para isso. E meu trabalho hoje é encurtar essa jornada para as mães que me procuram.

5 – Qual é a proposta do seu negócio? Como você ajuda essas mães que chegam até você?

Minha proposta é que cada um tem seu caminho. Não acredito em formatos e modelos de negócio prontos. Minha pegada é empoderar e incentivar que essa mulher se conheça antes de qualquer coisa e a partir daí, ela tem as ferramentas necessárias para decidir que negócio faz sentido para ela. Muitas mulheres acham que ter negócio, ser empreendedora é algo muito complexo e exige muita grana, mas no meu ponto de vista uma decoradora de festas, uma fotógrafa ou uma doula é uma empreendedora. É muito mais simples do que imaginamos.

Ainda assim, é um formato de trabalho que exige esforço como qualquer outro. Quero dar a oportunidade desta mães fazer uma jornada de autoconhecimento profundo e buscar a resposta que muitas vezes ela já tem. Naturalmente dentro do Mãe S/A vamos validando ideias e excluindo outras, porque os talentos desta mãe já estão tão conscientes e latentes que o negócio ou projeto ideal aparece pulando na cara de cada uma. Meu papel é lapidar isso e ajudá-la a transformar isso em um negócio rentável e viável porque ninguém vive de luz. Ideias não transformam vidas, então eu as impulsiono para colocar esse negócio no ar em até 6 semanas usando os recursos que ela já tem e de forma direcionada, com prazos, metas e muita clareza dos passos a seguir. Os resultados tem sido extraordinários e eu sou muito grata por isso. Muitas delas fazem mentoria comigo hoje só para fazer uma “manutenção” mensal e garantir que o negócio continue crescendo, aos pouquinhos, mas de forma constante.

6 – Qual foi/é seu maior desafio na hora de conciliar maternidade com empreendedorismo?

O tempo é sempre um adversário que merece nossa atenção. Hoje eu venço mais batalhas do que perco, mas não foi sempre assim.

Quando se começa a empreender, a gente acha que vai conseguir fazer tudo sozinha, que vai dar mamá para a criança e fechar um cliente ao mesmo tempo. Eu sempre digo para as minhas alunas que isso não existe. É preciso criar sua rede de apoio e entender que seu negócio precisa de você e da sua dedicação assim como seu bebê, se não ele não cresce. Entender isso levou um tempo e muitos exercícios de disciplina. Eu passei pelo meu próprio programa (Mãe S/A) e fiz as aulas online porque vi que eu estava com a minha agenda caótica e sem saber administrar tanta demanda.

Também estou sempre alerta a como estar presente verdadeiramente com os filhos na hora que estou com eles, isso é importante para mim. Hoje a gente acessa tudo pelo celular e se pega trabalhando na hora que não é para estar e é preciso estar vigilante para isso não acontecer.

Você também precisa se reinventar e correr atrás do que ainda não tem de informação. A falta de conhecimento em áreas estratégicas como finanças, por exemplo, pode te atrapalhar. Dentro do meu programa tem um curso inteiro de um consultor financeiro porque é super importante aprender o básico sobre fluxo de caixa e outras coisas que são cruciais para você ter bons resultados.

O mais importante: qualquer um desses desafios é facilmente vencido quando você tem clareza de onde quer chegar e uma grande “porque” você está fazendo tudo isso. E essa clareza você só consegue quando aceita e se coloca em uma postura de olhar para dentro e entender quem você é e o que faz sentido para você, e não para sua mãe, pai ou vizinho.

Adorei! Obrigada, Rê, por topar dividir sua história com outras mulheres e aparecer por aqui. E recomendo o Programa Mãe S/A para cada mãe que passa pelo momento de dúvidas e incertezas que a Renata aponta na entrevista. Já indiquei para amigas porque conheço a seriedade do trabalho da Renata e a paixão e brilho nos olhos dela quando fala do seu trabalho. Desejo isso para todas as mulheres que buscam realização profissional após a maternidade!

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